E o Oscar vai para…Flamengo
Fevereiro 26, 2008
Durante toda a semana que passou, não houve outro assunto a ser discutido pelas pessoas nas ruas do Rio de Janeiro senão a decisão (e possibilidade de revanche) entre Flamengo e Botafogo. Claro, por mais natural que seja a expectativa criada em torno de uma final, havia ainda um ingrediente que tornaria as coisas mais tensas nessa partida: a polêmica decisão estadual de 2007.

Seguindo o script, já que houve a festa do cinema mundial ontem nos EUA, todos os pré-requisitos de um jogo decisivo estiveram presentes no roteiro: muitos jogadores se tornaram dúvidas por problemas de contusão, treinador fazendo muitas variações táticas para confundir o adversário, além do fato de que toda frase dita na véspera de tais jogos se tornam polêmicas, tal qual a do goleiro Castillo, que tinha dito que calaria o Maracanã, e a resposta de Cristian, ao chamar o arqueiro adversário de papagaio.
Como todo grande filme, a expectativa de casa cheia foi cumprida, e houve um público presente de mais de 80.000 pessoas para apreciar mais um duelo entre as duas equipes. Parecia um filme de western, tamanha era a tensão, e o respeito entre os técnicos. Tanto que no início da partida, as equipes ficaram apenas esperando quem iria disparar o primeiro tiro, ou melhor, pressionar o adversário em busca do gol.
Um dos candidatos a protagonista era Wellington Paulista, que se livrou de Jaílton e Ronaldo Angelim e acertou um forte chute cruzado para abrir o placar, diante de uma platéia sedenta por gols. O filme se manteve morno, apenas seguindo seu curso até o fim da primeira etapa. Mas como todo grande filme, é um erro grave tentar prever o final antes de seu desenrolar.
Chegou o momento da entrada em cena dos primeiros candidatos a coadjuvantes do jogo, Kleberson e Obina, que entraram para satisfazer uma parte do público que queria mudanças no roteiro do filme, no lugar dos não tão bons atores Jailton e Marcinho.
A segunda etapa começou com a equipe do Flamengo disposta a mudar os papéis de protagonista e coadjuvante do filme. Porém, quem assumiu essa posição foi o árbitro da partida, ao marcar um penalti que foi pivô de muita discussão, se tornando mais falado até do que a própria partida em si. O penalti em si foi marcado corretamente, já que o zagueiro alvi-negro Ferrero puxou Fabio Luciano pela camisa, o que configurava a infração. A reclamação dos botafoguenses consistia no fato de tal tipo de penalti nunca ser marcado por outros árbitros: polêmicas à parte, está na regra que esse tipo de lance deve ser marcado. Um detalhe no filme que muitos deixariam passar desapercebido: na discussão, o nosso segundo candidato a protagonista, Lúcio Flávio, levou cartão amarelo na confusão.
Convertida a penalidade por Ibson, acreditava-se que haveria uma calmaria para o espectador poder respirar e absorver os acontecimentos da história. Porém, o roteiro era eletrizante, e a ação só tendia a ficar mais intensa, com uma discussão generalizada que duraria 5 minutos e traria como saldo as expulsões de Souza (Flamengo) e Zé Carlos (Botafogo).
Com a saída dos dois atores em tal momento da história, ficou ainda mais difícil fazer qualquer tipo de previsão. Com as equipes em momento nervoso na partida, nervos a flor da pele, ocorre o terceiro ponto crítico do filme: Lúcio Flávio, contrariado com a decisão do árbitro de não marcar uma falta em Jorge Henrique, agride com um pontapé o jogador Juan, levando o segundo amarelo e sendo expulso de campo.

Os diretores do filme, Joel Santana e Cuca, estudavam maneiras de terminar o filme conforme suas vontades, assim Joel Santana, aproveitando-se do jogador a mais, lançou mão de um atacante e tirou um jogador de contenção, colocando Diego Tardelli no lugar de Toró. Nesse meio tempo, ainda houve um candidato a vilão da história, o botafoguense Ferrero, que poderia ter sido expulso após um carrinho desleal, lembrando um lance que ocorrera dias antes na Inglaterra e acarretou numa lesão grave do atacante brasileiro Eduardo da Silva.
O candidato a coadjuvante, Diego Tardelli, surpreendentemente superou os favoritos Leonardo Moura, Jorge Henrique, Ibson ou Lúcio Flávio, e ganhou o prêmio de principal atuação no filme, ao marcar um belo gol no apagar das luzes. O mais incrível é que nos últimos dois minutos de acréscimo, o time do Botafogo se portou de forma valente, e, mesmo com um homem a menos, quis terminar como os heróis clássicos, que mesmo na fraqueza supera o cara mais forte, criando duas chances claras de empatar o jogo, porém esbarrando na falta de sorte (não da pra dizer que aquela bola na trave foi falta de competência).
Após acreditar-se que estavam definidos os vencedores dos principais prêmios da noite, eis que, na coletiva de imprensa, todo o elenco do Botafogo, incluindo diretor, atores e até mesmo executivos das empresas, roubam a cena e ganham o prêmio de melhor filme, ao protagonizar uma cena desnecessária, dizendo que o Campeonato Carioca é o lugar “Onde os fracos não têm vez”.

Roteiro final: Flamengo 2 x 1 Botafogo
Efeitos sonoros: as torcidas, ao vibrarem com os gols de Wellington Paulista (Botafogo) , Ibson (Flamengo) e Diego Tardelli (Flamengo).
Melhores coadjuvantes: Leonardo Moura (participou dos 2 gols) e Wellington Paulista (fez um gol e deu muito trabalho à defesa adversária)
Melhor ator: Diego Tardelli
Diretor: Joel Santana, terminou o filme da maneira que preferiu.
Melhor Filme: mais uma final eletrizante entre as duas equipes
Prêmio Framboesa de Ouro: A cena lamentável na coletiva do Botafogo. Tal time merece muito respeito, o trabalho feito desde o presidente até o roupeiro é de se admirar, boas contratações a custo baixo, boa administração, um time muito dedicado em campo, excelente esquema tático, dentre outras virtudes. Porém, parece que querem jogar essa bela imagem no lixo ao ficar dando motivo para os outros torcedores fazerem chacota.

Próximos filmes: Flamengo x Cienciano (Copa Libertadores), quarta-feira 27/02
Rio Branco (AC) x Botafogo (Copa do Brasil), quarta-feira 27/02
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1.
Marcello Coimbra | Fevereiro 26, 2008 at 12:14 am
Sobre o carrinho do Ferrero: O lance seria imprudente se ouvesse disputa, mas a bola era toda do Ferrero.
Por exemplo: se uma bola vier alta pra mim e eu der um bico com a perna lá no alto, mas sem ninguém junto de mim o juíz não pode marcar um possível “pé alto”.
Eu entenderia que o juíz marcasse uma falta caso o Ferrero fizesse algo como o Ronaldinho na Copa de 2002 contra a Inglaterra, em que ele foi bem mais leve, mas foi com o pé alto numa dividida.
O Ferrero deu um carrinho numa bola que era completamente dele. Quem chega totalmente atrasado é o Cristian, que acaba, inevitavelmente, se chocando com as travas do zagueiro. Reparem no replay do momento do impacto onde a bola se encontra. Já está alguns metros atrás do Cristian; ele não tinha nada o que fazer tentando brigar naquela bola.
Pra mim não tem nada a ver com a falta sofrida pelo Eduardo Silva em que o zagueiro chega atrasado e acerta a perna do atacante brasileiro. Nesta o Ferrero vai completamente na bola, mas acaba acertando o Cristian, que foi ingênio em disputar aquela, como consequência de qualquer carrinho.
Eu não marcaria falta, muito menos daria cartão pro Ferrero.
2.
Lipe_Tricolor | Fevereiro 26, 2008 at 12:15 am
A coletiva do Botafogo foi d+…
E eu achando q ja tinha visto de tudo !! haha
3.
carlos_eduardo | Fevereiro 26, 2008 at 1:32 pm
Como eu já vi o Marcello jogando futebol, eu acredito que ele de fato ache a tentativa de homicidio cometida pelo Ferrero um lance normal.
Pelo amor de Deus, Marcello.
4.
fongfengmode | Fevereiro 27, 2008 at 1:08 am
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